domingo, 8 de novembro de 2009

TACITURNO


Passo calado, e escuto o murmurar
Das pessoas que me olham com desdém:
—Como ele é feio, e estranho o seu olhar!
Certamente é um pobre sem ninguém...

Tácito, continuo o caminho...além...
Abraça-me a noite fria... o luto e o luar.
Preso num vazio que tudo contém:
(Dor... angústia... ânsias... solidão e azar!...)

Não ter ninguém pra contar meus segredos!
Viver sozinho com meus próprios medos
A volver-me à solidão que me resta...

Como um passarinho preso na gaiola
Triste... pálido... “ermo”... — Quem o consola?—
Lembrando a liberdade da floresta!...



James Wilker. Escrito em 2005, em tempos de solidão abrasadora. Inspirado na poética soturna de Florbela Espanca.

2 comentários:

Robério Pereira Barreto disse...

muito bom parabéns!

keila disse...

James Wilker, grande poeta!

Costumo dizer que as poesias de Florbela Espanca têm alma.
As suas, bem como as da mesma, também têm...

Parabéns!